terça-feira, 2 de junho de 2009

Um sonho.

A psicanálise consegue trazer a tona muitas coisas que estão entranhadas no inconsciente de uma pessoa. Digo isso porque estava pensando em um sonho que tive, onde estava em um campo em que o mato alcançava a altura dos meus joelhos, e as arvores escassas assustavam com seu contorno destacado pela luz da lua que ia e vinha se escondendo atrás de nuvens de chuva que tornavam essa noite ainda mais estranha.
Corria um rio, que na minha cabeça estava do lado contrario onde deveria estar, e perto da margem, havia uma cabana, de uns 4 metros quadrados, e foi pra lá que eu fui me esconder. Me esconder do que? Havia medo, um medo do sobrenatural, e justamente nesta cabana foi onde consegui me acalmar, mas sabia que o mal que me assustava ainda estava lá fora, aguardando por mim.
De alguma forma, aquilo que me perseguia, não entrava na cabana. Uma cabana de madeira caindo aos pedaços onde a luz da lua e o frio do vento entrava e saia a todo momento pelas frestas abertas nas tabuas que deviam estar ali a muito e muitos anos.
Quando ajustei a minha visão, encontrei em um canto, um balcão com um livro de capa preta e ao lado uma espada Katana, aquelas dos samurais.
Sabia que o mal estava lá fora, e aqueles objetos impediam que ele adentrasse naquela fortaleza. Nessa hora eu acordo.
Apesar de saber que era um sonho, por muito tempo isso me emocionava.
Em uma época, em que eu acreditava no esoterismo achava que esse era uma mensagem para algum ato heróico, em que eu, um dia faria, mas hoje não sei o que ele significa.
Fazem mais de 15 anos e sempre tenho a impressão que o sonho foi na noite anterior. Embora, tecnicamente pode ter sido, pois nem sempre lembramos com clareza dos nossos sonhos, e justo eles que podem muito bem nos dar a luz da pessoa que somos.

Um comentário:

  1. Nossa consciência nada mais é do que resultados e combinações de um complexo circuito elétrico (bioquímica) entre bilhares e bilhares de neurônios que, ou excitam ou inibem tais circuitos. De onde as sensações separadas vêm (cortex cerebral), passa pelo hipotálamo e hipocampo, que através de uma percepção de configuração de várias sensações oriundas do córtex assimila-as como o que chamamos de pensameno e sentimentos. A memória nada mais é do que um sistema de recompensa que grava os circuitos efetuados por neurônios, porque isto é percebido como forma de prazer, cujo hipocampo nos remete a agradável situação de lembrar de algo. De infinitas combinações, quase todas são gravadas na memória recente, que depois de sobrepostas, arquivadas ou descartadas são processadas ou não. No entanto, assim como todas as ações do SNCA (Sistema Nervoso Central Autônomo) não são percebidas nem processadas conscientemente, isso significa que há circuitos em nosso cérebro que o hipocampo não processa sentimento ou consciência com o mundo externo. Na verdade isso é um sistema de defesa do cérebro. Porém, de alguma forma, estes outros circuitos, em uma outra ocasião (como no sono por exemplo) podem aleatoriamente ser "lembrado" ou reprocessado a sua imagem ou semelhança da imagem do circuito, dando-nos a sensação de algo que não conhecemos, mas nos é familiar. Isto é o inconsciente "para Sigmund Freud", inventor da Psicanálise que tem por base justamente esse foco.
    Neste seu sonho, da cabana e do livro com a espada, eu conheço há mais de 10 anos. Lembrando disso, perceba que, uma situação parecida de correr na Free-way em sentido contrário nos remete sentimentos que não nos são conscientes, mas de alguma forma nos influi ou interfere. Para Freud, essas interferências eram desencadeantes de todas patologias na fase adulta, por se guardarem escondidas nesse "inconsciente".

    Cristiano Zarichta

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